No outono de 1941, Erico Verissimo testemunha a morte de uma "rapariga loura, alva e franzina" que se joga de um prédio no centro de Porto Alegre. O desassossego por ter presenciado essa cena o leva a escrever O resto é silêncio, que inicia justamente com a queda de uma moça do alto de um espigão da capital gaúcha. A história, narrada a partir de diferentes perspectivas, transcorre em pouco mais de 24 horas, entre a tarde da sexta-feira da Paixão e a noite do sábado de Aleluia. O destino da moça, que no enredo imaginado pelo escritor é uma simples vendedora de um grande magazine, revela-se o ponto de ligação entre as trajetórias dos diversos personagens.
Neste romance, considerado a ponte artística para a saga O tempo e o vento, Erico atinge não só a mestria na técnica do contraponto dramático - aprendida com o romancista inglês Aldous Huxley - como também a maturidade na composição dos personagens. O resultado é um texto denso e comovente, profundamente afinado com as preocupações sociais e estéticas do autor e com os sombrios sinais de desastre que percorriam o mundo na esteira da Segunda Guerra Mundial.
Opinião do leitor
O Resto é Silêncio é uma obra magnífica. O relato da queda de uma jovem e o envolvimento de personagens vivendo o fato de uma forma particular, é por isso mesmo, atual. A escrita de Erico Verissimo colocou-me na platéia de um teatro a assistir cada cena do romance.
Henrique A Vasconcellos, Rio de Janeiro, 28/02/2009
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Comecei a ler Erico Verissimo por meio de O resto é silêncio. E, a partir desse livro, li com prazer toda a obra deste admirável escritor. Aliás, volta e meia estou a revisitá-lo: as grandes obras são inesgotáveis e, portanto, nos permitem sempre uma nova releitura.